Docas do Mercado da Praia do Peixe (1880–1890) – Foto colorizada
no Rio de Janeiro
As Docas do Mercado da Praia do Peixe ficavam no centro histórico do Rio de Janeiro, exatamente na região onde hoje está a Praça XV. Na época, aquilo era literalmente a beira da água. Ali perto ficavam o Paço Imperial, o antigo mercado da Candelária e os cais de embarque voltados para a Baía de Guanabara. O nome Praia do Peixe não era figurativo. Era mesmo uma faixa de litoral usada para comércio, desembarque e venda de pescado.
Hoje você não vê mais nada disso. A linha da costa mudou com aterros e reformas urbanas. O lugar foi redesenhado várias vezes. Mas se você estiver andando perto do Paço Imperial, praticamente está pisando onde essas docas existiam.
Agora a foto.
Primeira coisa que chama atenção é a quantidade de barcos. Pequenos, médios, alguns com vela, outros só encostados na água. Tudo muito próximo, quase apertado, como se o espaço fosse valioso demais para desperdiçar. A água é calma, mas claramente movimentada pelo vai e vem constante.
Atrás dos barcos tem o mercado. Um longo conjunto de construções baixas, cobertas, cheias de gente. Dá para imaginar o barulho sem esforço. Conversa alta, negociação, peixe chegando, peixe saindo. Movimento contínuo. Não parece organizado no sentido moderno. Parece vivo.
Os mastros verticais criam uma espécie de floresta de madeira no meio da cena. Finos, altos, repetidos. Eles cortam a paisagem e deixam tudo visualmente mais denso. Entre eles, pessoas andando, carregando coisas, trabalhando. Nada ali é decorativo. Tudo tem função.
Mais ao fundo aparecem prédios maiores, mais formais. Arquitetura pesada, estatal, quase solene. Um contraste direto com a atividade prática do mercado. Comércio na frente. Poder e administração atrás.
E aí você percebe outra coisa. Isso não é só um porto. É um ponto de encontro entre cidade e mar. Entre consumo e chegada de mercadoria. Entre quem vende e quem depende do que chega ali todos os dias.
É o tipo de lugar que hoje a gente chamaria de logístico. Mas ali é humano, manual, físico. Nada automático. Tudo depende de braço, barco e presença.


Peter Faber